Clínicas veterinárias se tornam depósitos de animais abandonados
Em Ponta Grossa, abandono de animais em clínicas ocupa espaços destinados a tratamento
Gisele Barão da Silva
Mariana
Galvão Noronha
Os casos de abandono de cães e gatos em clínicas veterinárias não são tão freqüentes como os de abandono nas ruas, mas acontecem. Na maioria das vezes, os animais chegam em más condições de saúde, isso quando não acidentados. “Todo mundo quer se livrar do problema na frente de casa, daí traz e abandona, que é o mais fácil.”. Foi o que afirmou uma das veterinárias entrevistadas, Andrea Karpen. Geralmente quem os leva não se diz dono ou responsável, na tentativa de não arcar com as despesas do tratamento. Por desacreditar na recuperação do animal, em muitos casos o responsável pelo abandono chega a fornecer dados falsos, como nome, endereço e telefone.
O que acontece com os rejeitados?
No intervalo de tempo que pode variar de uma
semana a um mês, se não encontrado o dono, o animal é encaminhado à adoção pelos
funcionários da clínica. Durante esse período, seu tratamento é custeado pela
mesma. A castração, que é o procedimento básico, gera uma despesa de cerca de
R$ 300, 00, incluindo a mão-de-obra.
No processo de adoção, os veterinários
encontram uma nova dificuldade, pois, embora apareçam interessados em adotar,
muitos exigem padrões que nem sempre condizem com a realidade dos abandonados.
Segundo depoimentos das veterinárias Bárbara Maurício e Andrea, de maneira geral
a preferência é por animais de raça, de pequeno porte e com boa aparência. Apesar
dos obstáculos, a maioria consegue ser encaminhada para uma nova família, e
os que não têm tanta sorte, permanecem nas clínicas.
No dia 19 deste mês,
após encontrar na rua dois cães filhotes em uma sacola plástica, uma senhora
os encaminhou para uma clínica, para que pudessem ser tratados e em seguida
doados. Até o fechamento desta matéria, os filhotes aguardavam adoção. Casos
como esses são comuns. Andréa afirmou ter encontrado várias vezes na porta de
sua clínica caixas de papelão com animais abandonados.
O que a lei diz a respeito
A
lei federal 9605/98, Lei dos Crimes Ambientais, deveria garantir que animais
não sofressem maus tratos como: confinamento em pequenos espaços, falta de água
e alimento, e atendimento veterinário. A pena nesse caso vai de três meses a
um ano de prisão e multa, que pode aumentar caso ocorra a morte do animal.
De
acordo coma Lei de Proteção Animal, é obrigatório identificar animais através
de um microchip subcutâneo que possibilita encontrar o dono em caso de abandono.A
lei determinou que, a partir deste ano, os animais que nascessem deveriam ser
identificados e registrados entre os três e seis meses de idade por um veterinário.
Compromisso público
É preciso alertar a população sobre a função
de tratamento das clínicas veterinárias, e não de abrigo de animais e eventual
adoção. Muitos estabelecimentos ficam sobrecarregados com os abandonos, por
não terem estrutura ou espaço, sendo que a melhor opção seria encaminhar para
um pet shop ou agropecuária com condições.
Para diminuir o índice de abandono,
tanto nas clínicas como nas ruas, é preciso garantir que você esteja preparado
para assumir essa responsabilidade, que inclui cuidados veterinários, espaço
suficiente e condições para garantir boa alimentação. Se souber de casos de
abandono, em casas vizinhas, por exemplo, denuncie. Abandonar é crime. Denunciar
é proteger.