A importância de castrar seu animal de estimação

Gisele Barão da Silva
Leticia Scheifer
Mariana Galvão Noronha

A população de Ponta Grossa já está acostumada a encontrar cães abandonados e mal tratados pelas ruas e praças. A situação é mais grave do que parece. Atualmente existem na cidade cerca de 15 mil animais abandonados e esse número poderia diminuir drasticamente se eles fossem castrados.
De acordo com a veterinária Thamy dos Santos, a castração não só impede o aumento de cães nas ruas, mas oferece o benefício da prevenção do câncer de mama e de próstata, além de outras doenças geneticamente transmissíveis como a catarata juvenil e a epilepsia. “A cirurgia tem suas contra-indicações: não deve ser feita durante o cio do animal, pois o sangramento é maior”, afirma Thamy. Depois da cirurgia, que é simples e rápida, os cuidados a serem tomados consistem basicamente em evitar esforço físico e impedir que o animal interrompa o processo de cicatrização através do contato com o curativo. O ideal, segundo a veterinária, é levar seu animal para ser castrado a partir dos 6 meses de idade. O valor deste procedimento é em torno de 200 reais, com a mão-de-obra.
Além da intenção de evitar doenças e controlar a natalidade dos animais, a castração também oferece resultados comportamentais. No caso da professora Jocelaine Santos, a castração foi a saída para deixar seu gato mais calmo. “Optei por castrar quando meu gato era filhote e logo percebi a mudança. Ele ficou muito caseiro”, afirma. Já para a secretária Giselle Hansen, o problema era psicológico. “Minhas cadelas sofriam de gravidez psicológica e a castração foi o meio encontrado para evitar que isso ocorresse novamente”, diz Giselle.
Em média, uma cadela pode gerar 12 filhotes por ano. Em 6 anos, caso o dono da cachorra não encontre casa para esses 72 cães, todos estarão abandonados nas ruas. Após duas gestações que resultaram em 15 filhotes, o estudante Sebastião Machado Neto resolveu castrar sua cadela, evitando a preocupação de encontrar famílias interessadas em adotá-los. “Passaram-se duas semanas até que eu encontrasse um lar para todos os filhotes”, afirma Neto, que não quis optar por agropecuárias e preferiu doar os animais para vizinhos e amigos. “Assim posso acompanhar o crescimento deles”, completa

 

PERGUNTE AO VETERINÁRIO:

A médica veterinária Thamy dos Santos, tira algumas dúvidas comuns em relação à castração. Confira:

1) O animal engorda após a castração?

Não. O que acontece é a redução de hormônios produzidos pelo animal, resultando em uma atitude menos agitada. Por isso, o animal diminui os exercícios físicos e o dono deve ficar atento ao controle da alimentação.

2) O animal sofre durante ou após a cirurgia?

Não. A anestesia evita que qualquer dor possa incomodar o animal durante o processo cirúrgico. Após a operação, quem pode ter desconforto maior são as fêmeas, já que no caso delas a operação é interna.

3) É verdade que após a castração o animal não demarca território?

Sim. Quanto mais cedo o animal for castrado, menor é a chance de ele adquirir o hábito de urinar pela casa.

4) Há alteração no interesse sexual depois da castração?

Não. O animal continua ativo sexualmente, embora o interesse seja menor em comparação com um animal não castrado.